" É preciso propagar a moral e a verdade " (Mums)


Obsessão: Fenômeno, Causa e Tratamento

_____Segundo Allan Kardec em o livro dos médiuns (item 237), a obsessão refere-se a influência que um espírito imperfeito pode exercer sobre uma pessoa, incutindo-lhe de forma impertinente um determinado pensamento ou idéia, que pode ser oposta as suas crenças (valores) pelo seu caráter absurdo, ou aceito pelo mesmo de bom grado, como algo que lhe proporciona uma certa gama de prazer.

_____Embora a obsessão nem sempre seja ocasionada por um espírito mau, sempre será por um espírito imperfeito, pouco evoluído moralmente, visto que suas idéias sempre são impostas pelo constrangimento. Ao estudar a obsessão, Allan Kardec dividiu-a em três classificações: simples, fascinação e subjugação, conforme veremos abaixo (Livro dos Médiuns, itens: 238, 239, 240).

Simples - é a capacidade que um espírito imperfeito apresenta em sugestionar uma determinada pessoa. No livro dos médiuns vamos entender que os espíritos influenciam os nossos pensamentos e atos, de acordo com a nossa sintonia mental. Nesse estágio o espírito deseja ter acesso a mente do indivíduo, que somente logrará, através da sintonia. Essa influência é percebida, como um pensamento estranho, que momentaneamente vem a cabeça e que logo é rejeitado, mas de acordo com a sua repetição vai deixando de ser estranho e vez que outra é aceito.

Fascinação - é compreendida como a evolução da primeira, onde o espírito conseguiu acesso ao pensamento da sua vítima, através do estudo de suas fraquezas e desejos mais íntimos, que estavam adormecidos e que agora vêm à tona. Geralmente são aflorados de encarnações passadas ou da atual, momentaneamente superados, como: vícios químicos, vícios morais, excessos, orgulho destrutivo, vaidade presunçosa, etc. Na fascinação a pessoa é iludida de que é algo que gostaria de ser, mas não consegue, seja por uma limitação material, intelectual, cultural ou moral, ou pode ser iludida com pessimismos, baixa auto-estima, que a conduz a pensamentos mórbidos e escapistas da realidade. Nesse estágio o espírito conduz de certa forma a sua vítima, de modo que ninguém consegue fazê-la(o) cair na real e enxergar sua postura excêntrica, arrogante, presunçosa, anti-social ou pessimista. Gradualmente o(a) arrasta para o absurdo, a humilhação, ou mesmo ao suicídio, seja em vingança (Dramas da Obsessão; Primeira parte, ítem 2) ou para satisfazer as suas necessidades humanas, que conserva mesmo estando desencarnado, conforme veremos mais à frente.

Subjugação
– nesse estágio a vontade do encarnado não é forte o suficiente para se opor a do invasor, que não raro, manifesta-se pela psicofonia, quando o espírito assume autonomia para se expressar com o seu corpo, seja pelas palavras ou pelo comportamento. Ela pode ser consciente, quando a pessoa tem ciência do que está fazendo, mas não consegue "resistir", ou inconsciente, quando ela não consegue se lembrar de nada do que fez (Mateus.: cap. 5 Ver. 2 a 13; Nos Domínios da Mediunidade, cap. 9). Contudo nos comportamentos antes e durante o transe, há sempre um híbrido: a imposição do espírito e a permissão da pessoa, pois que oferece a este sintonia para as manifestações.

_____A obsessão em aspectos gerais, pode ocorrer por vingança ou por afinidade. Na obsessão por afinidade existe similaridade de valores entre o espírito e a pessoa obsediada; podemos citar como exemplo, o vampirismo espiritual (Missionários da Luz, cap.: 4 e 5), ex.: a pessoa usa drogas químicas e o espírito a obsedia para experimentar as reações das drogas, através do seu corpo . Em estágios mais avançados o espírito pensa e sente o que o encarnado pensa e sente e vice-versa (Simbiose espiritual). O vício pode ser existente em ambos que se buscam mutuamente pela identificação, ou pode ser provocado por uma das partes, mais freqüentemente pelo espírito desencarnado.

_____A obsessão por vingança ocorre quando o obsessor foi lesado pela sua vítima e agora deseja descontar o dano sofrido, por isso, impõe sofrimentos a sua vítima (Loucura e Obsessão, pág 189). A obsessão por vingança pode ser praticada pelo próprio desafeto ou pode ser realizada por um espírito que cumpre ordens do verdadeiro desafeto (Libertação, pág 114). Entretanto, nem sempre a vingança logra êxito, pois em alguns casos, a sua vítima não está mais na mesma faixa vibratória, devido à descoberta de novos valores, os quais, vivenciados, a(o) coloca em sintonia com o bem. Nesses casos, quando os obsessores não conseguem cumprir os seus planos de forma direta, podem tentar atingir suas vítimas influenciando terceiros, em quem encontrem ressonância mental(Trilhas de Libertação, pág 173).

_____Existem obsessões onde a perseguição está relacionada a uma determinada ideologia ou crença e não com a pessoa que professa a idéia ou a crença, mas como representa essa forma de pensar e viver, pode sofrer as investidas de espíritos maus, que podem ter êxito ou não, a depender do crédito que o sujeito dá as influências, ex.: Espíritos que desejam acabar com as atividades de um centro espírita, que é o responsável pela redenção de muitos obsessores, que esclarecidos não desejam continuar fazendo o mal (Aconteceu na casa Espírita pág 1 a 4). Como estão em outro plano, obsediam os trabalhadores da instituição, semeando os modismos, incompreensões, picuinhas, intrigas, discórdias, calúnias, sensualidade, orgulho e disputas. A finalidade é destruírem a fraternidade e o equilíbrio espiritual da instituição, comprometendo assim, diversas atividades, que estacionam devido a ausência de trabalhadores, que distanciam-se dos centros desanimados, por não serem compreendidos, pelas fofocas e calúnias, as quais, de certa forma também contribuem, embora não consigam enxergar de pronto (Aconteceu na Casa Espírita, pág 4 a 7).

_____Com as contribuições de André Luis, Manuel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, observamos que o fenômeno obsessivo pode ocorrer tanto de desencarnado para encarnado, conforme os exemplos acima, quanto de encarnado para desencarnado, por exemplo: um homem que torna-se viúvo em um acidente, pode começar a obsediar sua esposa desencarnada em não aceitar a sua morte. Ela escuta os seus choros e invocações constantemente e de acordo com o seu grau evolutivo, pode experimentar sofrimentos atrozes e por isso, não conseguir se desligar da sua presença ( Obsessão Desobsessão, pág 43); esse tipo de obsessão também acontece pelo ódio.

_____Pode correr também somente entre desencarnados, quando as rivalidades continuam mesmo depois da morte física de ambos, em que há um revezamento entre vítima e algoz, no espaço de cada reencarnação. A fixação no mal, alimentada pelo ódio, intolerância e revelia a necessidade de reencarnar, devido ao desejo de vingança, podem provocar diversos tipos de deformidades perispirituais, como as presenciadas nos espíritos ovóides, que perderam a forma humana e assumem um aspecto disforme ( Libertação, pág 95). Essas mesmas fixações acompanhadas de culpas patológicas, podem igualmente oferecer campo para fenômenos zoantrópicos e licantrópicos, em que o perispírito adquire formas animalescas ou não-humanas, causadas por induções hipnóticas de espíritos que buscam humilhar suas vítimas, que outrora, foram algozes( libertação, pág 72).

_____Outra especificidade de obsessão é a de encarnado para encarnado, presente em relacionamentos posessivos de caráter castrador, que geram conflitos e produzem sofrimentos, em que não existe respeito ao livre arbítrio do outro. Nesse tipo de obsessão o indivíduo acredita que o outro é a sua propriedade, o que imagina, lhe dá o direito de fazer o que bem entender. De acordo com o grau de impulsividade, esse tipo de obsessão pode levar a crimes, homicídios, assassinatos precedidos de suicídios, conforme observamos frequentemente na mídia, diversas ocorrências similares.

_____As influências obsessivas em longo prazo, podem converter-se em diversas patologias, sejam através de comprometimentos mentais: complexos, transtornos compulsivos, quadros neuróticos, ansiedade patológica, psicoses, dissociação da personalidade, loucura, etc; motores: casos raros de invalidez dos membros, onde não existe comprometimento muscular/neuronal, em que o sujeito recobra a saúde com o afastamento do espírito e mesmo limitações corporais irreparáveis na presente encarnação; ou orgânicos: doenças congênitas, crônicas, pois desestabilizam o perispírito responsável pela formação e interação entre o espírito e o corpo físico.

_____A conexão que permite a sintonia obsessiva repousa nos vícios morais, que nos encarceram nos excessos, egoísmos, vaidades e orgulhos, que precipitam-nos a incompreensões, intolerâncias, inimizades, agressividades e crimes; grandes, que nos impedem de vôos mais seguros em busca do equilíbrio, paz e felicidade. Entretanto, os processos obsessivos, com as suas peculiaridades, estão circunscritos na lei de causa e efeito, onde cada um recebe segundo as próprias obras, pois a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

_____A obsessão só termina com a mudança moral de um ou de ambos (vítima e algoz) a depender da natureza de cada caso. Considerando a obsessão de desencarnado para encarnado, se apenas o espírito desencarnado mudar de comportamento ou for afastado por um espírito superior, outro pode vir e ocupar o seu lugar, pois o encarnado continua oferecendo campo para a obsessão, mas com a mudança moral do encarnado as influências espirituais não são mais danosas, pois não existe mais sintonia. De acordo com os ensinos do espíritismo, cumpre ao amor quebrar este círculo de ódio e intolerância, por isso, na condição de consolador prometido, além de permitir a compreensão desta problemática, oferece a profilaxia necessária para a equação do fenômeno obsessivo, através das diferentes atividades oferecidas pelo centro espírita: reuniões públicas, evangelização infantil e da juventude, trabalho de promoção e assistência social, transfusões bioenergéticas (passes e água fluidificada), reuniões de estudo e práticas mediúnicas, reuniões de estudo sistematizado, reuniões de desobsessão e oportunidade de trabalho na instituição, que culminam no esclarecimento tanto do obsessor, quanto do obsediado, promovendo desta forma a resolução do problema obsessivo.

"O espiritismo traz o combate a obsessão, pois faz ouvir no mundo novamente a mensagem de Jesus, que nos convida brandamente a redenção espiritual, através da prece e da vigília para não caírmos em tentação, o perdão a quem nos ofender em nome do amor que devemos ao próximo e a nós mesmos."

Douglas Fernandes Soares

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KARDEC, Allan; O Livro dos Médiuns; Cap. XXIII Ítem. 237; 1ª edição de Bolso; Ed. Federação Espírita Brasileira-Rio de Janeiro.

KARDEC, Allan; O Livro dos Médiuns; Cap. XXIII Ítens. 237 a 240; 1ª edição de Bolso; Ed. Federação Espírita Brasileira-Rio de Janeiro.

PEREIRA, Ivone A.; Dramas da Obsessão; Cap I, item 2; 8ª edição; Ed. Federação Espírita Brasileira-Rio de Janeiro.

MARCOS, São; O Novo Testamento - Evangelho de Marcos, Cap 5 vrs. 2 a 13; Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida, SP 1969.

XAVIER, Francisco Cândido; Nos Domínios da Mediunidade, Cap.: 9 p. 77; 28ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 2001.

XAVIER, Francisco Cândido; Missionários da Luz, Cap.: 4 e 5; 31ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 1999. FRANCO, Divaldo Pereira; Loucura e Obsessão, p. 189; 9ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 2003.

FRANCO, Divaldo Pereira; Trilhas de Libertação, p. 173; 6ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 2000.

CRISTIANO, Emanuel; Aconteceu na Casa Espírita, p. 1 a 4; 3ª ed – Centro Espírita Allan Kardec – Campinas SP, 2002.

CRISTIANO, Emanuel; Aconteceu na Casa Espírita, p. 4 a 7; 3ª ed – Centro Espírita Allan Kardec – Campinas SP, 2002.

SHUBERT, Suely Caldas; Obsessão Desobsessão – Profilaxia e Terapêutica Espírita, p. 43, 1ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 2005.

XAVIER, Francisco Cândido; Libertação, Cap.: VII - pg 95; 23ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 2000.

XAVIER, Francisco Cândido; Libertação, Cap.: V - pg 72; 23ª ed – Federação Espírita Brasileira – Rio de Janeiro, 2000.

 
Acesso: 404
" É preciso propagar a moral e a verdade " (Mums)