_____A busca de sentido para a vida é uma longa jornada, que realizamos para alcançarmos a felicidade. Confundida em alguns momentos com a experiência do prazer, disponível em diversos setores da vida, não apenas através da manifestação sexual, mas também nas posses, posições sociais que almejamos ou em convites a descontração, onde buscamos fora, algo que aplaque os conflitos de dentro, os quais, desejamos nos libertar.
_____Toda felicidade gera prazer, mas nem todo prazer gera felicidade, que na atualidade diferencia-se desta por ser momentâneo, pois o que foi prazeroso em um tempo o deixa de ser em outro. Por isso sempre desejamos mais, com a finalidade de prolongarmos esse estado e esquecermos o desprazer das dificuldades que a vida nos proporciona, como provas redentoras de evolução espiritual. No fundo desejamos encontrar a felicidade na diversidade das experiências, embora nem sempre nos conheçemos o suficiente para administrarmos com equilíbrio os nossos projetos, comprometendo-nos desta forma, com os códigos da vida, tornando-nos os responsáveis pelo dano que causamos a nós mesmos, ou aos outros em nome do que classificamos como felicidade. Pois segundo o espírito padre Germano, “(...) o prazer neste mundo é fonte copiosa de sofrimento (...)”, devido a forma como o atingimos e o gerenciamos.
_____A interpretação de felicidade é muito particular, considerando a classificação de cada pessoa referente ao assunto. Contudo, algumas opiniões são muito parecidas, pois geralmente colocam como obstáculos a sua conquista, a ausência de uma estabilidade financeira, um companheiro ou companheira ideal, saúde, segurança e justiça, demonstrando que sempre colocamos como condição para a felicidade algo externo a conquistar. Se realmente essa fosse a configuração necessária, ela seria bem frágil, pois a perderíamos assim que enfermássemos, ficássemos desempregados, sofrêssemos uma separação conjugal, ou mesmo, mediante um asalto nos centros urbanos, que entregam o nosso descaso social.
_____Estas idéias, levam-nos a refletir sobre Jesus, que convidou-nos a felicidade através das bem- aventuranças, mas sob exigências diferentes, que independem das deficiências e influências do meio, status, posses, saúde física ou aparência. A vivência da sua proposta de auto-educação moral, distancia-nos pouco-a-pouco dos automatismos que condicionamos durante muito tempo, como os medos, excessos, preconceitos, exageros, incompreensão, intolerância, etc. Posturas, estas, que nos impedem de alcançarmos uma vida mais plena, pois o prazer muda de foco com o esclarecimento espiritual, que descortina, uma outra realidade paralela, que origina o mundo sensível e palpável, explicando a sua existência, razão e diversidade. A partir desse encontro, começamos a ter ciência e a respeitar outras leis, que ao contrário das humanas, limitadas, injustas e contraditórias entre si, de acordo com os costumes, culturas e crenças de cada país, regem o universo e os mundos nas suas diferenças de formas e elementos predominantes, mas que são incomuns na finalidade grandiosa que encerram em si, servindo de palco abençoado para a evolução dos espíritos (Allan Kardec, 1864), que povoam o universo e que foram criados em grau relativo, a semelhança de Deus.
_____Através da mudança de conduta mental e comportamental em alinho com as recomendações de Jesus, descobriremos no próximo um irmão e na vida uma oportunidade de trabalho que se inicia em nós e em seguida na sociedade com as contribuições que podemos ofertar no campo da justiça, solidariedade, ética, cidadania, desenvolvimento das ciências e da espiritualização do planeta. Em um processo contínuo e progressivo entenderemos que o propósito maior é alcançarmos a unidade vibratória superior, seguindo o caminho a verdade e a vida, pois ninguém vai ao pai senão por ele, conquistando gradativamente a felicidade real, quando conseguiremos um dia aceitar a sua proposta: “Sede perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito”, compreendendo as suas palavras: “vós sois deuses” e repetindo finalmente com a consciência pacificada a sua afirmativa: “Eu e o Pai somos um”.
Douglas Fernandes Soares
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SÓLER, Amália Domingo; Fragmentos da Memória do Padre Germano, [pelo espírito] Padre Germano, Cap.12 pg. 124; 19ª ed., Ed. Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro 1992.
JOÃO, São; O Novo Testamento - Evangelho de João, Cap 10 vrs. 30 e 33; Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida, SP 1969.
JOÃO, São; O Novo Testamento - Evangelho de João, Cap 14 vrs. 6; Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida, SP 1969.
MATEUS, São; O Novo Testamento - Evangelho de Mateus, Cap 5 vrs. 48; Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida, SP 1969. DAVI; Salmos: Salmo de Asafe, Cap.82, vrs. 6: Sociedade Bíblica do Brasil – Trad. João Ferreira de Almeida, SP 1969.